Novos universitários vivem misto de euforia e incertezas
Calouros já vivenciam expectativa de experimentar uma nova fase, nos estudos e na vida pessoal
Nice Bulhões
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
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Depois de um esforço tremendo para passar no vestibular, o aluno aprovado vivencia sentimentos antagônicos. Mais da metade dos novos universitários apresenta dificuldades nesta transição, como sugerem vários estudos da literatura internacional, segundo a psicóloga Isabel Cristina Dib Bariani, de 51 anos, doutora em Educação na área de Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). "Este período confronta os jovens com múltiplas e complexas tarefas e inúmeros desafios, exigindo deles novas responsabilidades" , explica Isabel.
"Por um lado, o aluno sente alegria, orgulho pela conquista pessoal, uma grande curiosidade e alta expectativa em relação às novas experiências que terá na faculdade. Por outro lado, pode haver muita ansiedade e insegurança geradas pela nova etapa de vida e pelas mudanças e adaptações a serem enfrentadas" , prossegue a psicóloga. "A transição do Ensino Médio para o Superior é um período especialmente importante, principalmente porque, em geral, ocorre em sincronia com as mudanças e adaptações peculiares da fase de desenvolvimento entre a adolescência e a vida adulta."
Esse percurso, segundo a psicóloga, demanda que o estudante lide com uma variedade de situações novas: professores, conteúdos programáticos, métodos de ensino e de avaliação, ritmos e exigências de estudo, interação com novos colegas e até mesmo, na maioria dos casos, o primeiro afastamento da família. "Desse modo, essa transição é particularmente desafiadora, pois depara os jovens com tarefas e desafios associados a quatro domínios: acadêmico, social, pessoal e vocacional." A especialista acrescenta que o aluno precisa se integrar para se adaptar. "Esta integração é um processo complexo e multidimensional, que envolve múltiplos fatores e que pode ser facilitado ou não dependendo de componentes da instituição, assim como de aspectos do próprio aluno."
Por isso, a instituição de ensino tem papel importante na condução adequada do processo de adaptação do calouro. "É desejável que ela se prepare para recepcionar o calouro, que deverá receber informações necessárias sobre espaço físico, organização e funcionamento, projeto pedagógico do curso, dentre outros." Para Isabel, as organizações estudantis também desempenham um valoroso papel no processo de integração ao planejarem atividades saudáveis de recepção e acolhimento aos novos universitários. "No entanto, é esperado que o próprio estudante se esforce e faça um investimento pessoal no sentido de buscar informações, de conhecer as pessoas e de se adaptar às novas situações."
Os amigos Fábio de Castro Fabis e Caetano Pansani Siqueira, ambos com 17 anos e estudantes do Colégio Progresso, passaram nas universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP). Fábio foi aprovado em educação física na Unicamp e em esportes na USP. Caetano passou em economia nas duas instituições públicas. Os dois optaram em morar em São Paulo para fazer os seus respectivos cursos na USP. "Porque o curso é mais direcionado para treinamento de time e também porque quero ter mais independência e maturidade, apesar de estar com um pouco de medo" , conta Fábio. Caetano sempre nutriu o sonho de morar fora da casa dos pais.
"Estou com um frio na barriga, mas muito ansioso. Afinal de contas, irei morar em São Paulo, que por si só já é gigantesca, e estudar na USP, que também é enorme" , comenta Caetano. Os dois pretendem criar uma república. Caetano avisou que sabe fazer algumas comidas, como macarrão e estrogonofe. Já Fábio só faz macarrão instantâneo. Ambos nem ligam se a roupa tiver de ficar amassada. Eles não sabem ainda usar o ferro. Segundo eles, a experiência se torna menos arriscada porque têm o apoio dos pais.
Reprovados devem rever estratégias
No caso de não-aprovação no vestibular, a psicóloga clínica Mariana Schwartzmann, da Unicamp, afirma que o momento é de rever toda a estratégia do último ano. "Pode ter havido pouco estudo ou estudo de forma errada, sem método adequado, com administração de tempo inadequada. Pode ter havido pouco lazer e estudo em excesso, o que pode ter causado esgotamento. Por fim, a escolha do curso pode ter sido equivocada." Acrescenta que é muito difícil, nesta idade, estar pronto para fazer a escolha de uma profissão. E afirma: "Os testes são instrumentos usados equivocadamente pelos estudantes, comprados em bancas de revistas. Isoladamente, não vê o perfil do estudante, que precisa ter a oportunidade de olhar para si mesmo para poder escolher." (NB/AAN)
Fonte:
Correio Popular
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